Posts tagged ‘aprendizado’

30 de setembro de 2010

Como escolher um curso de idiomas – Parte II

Dicas

Falar português em aula é proibido?

- A língua materna do aluno, sobretudo nos níveis iniciais, pode ser usada como forma de instrução, até mesmo para diminuir a ansiedade natural de aprender um outro idioma. Esta é uma disciplina diferente, por envolver uma sensação de estranhamento e uma dificuldade inicial que os outros conteúdos escolares não oferecem. O bom professor é aquele que consegue dosar bem o uso da língua materna, incentivando o estudante a substituí-la aos poucos pelas novas estruturas e pelo novo vocabulário.

- Um curso que desde o primeiro instante use apenas a língua estrangeira pode provocar uma sensação de frustração no aluno, que irá associar o estranhamento natural do aprendizado a uma incapacidade sua de compreender ou se comunicar em outro idioma.

Número de alunos

- Aulas em grupo são vantajosas para os mais jovens. Não só pela interação e pelo dinamismo, mas também por diminuírem o custo do curso, que, se fosse individual, seria bem mais elevado.

- Salas de aula muito cheias, contudo, tornam o ensino menos eficaz, tanto pelo pouco tempo de atenção que o professor pode destinar a cada um quanto pela dificuldade que um grupo grande de estudantes oferece ao aprendizado de uma disciplina intimamente ligada à comunicação.

- Turmas com cinco a oito alunos são, em geral, as mais produtivas. Doze alunos por sala deve ser o máximo aceitável em turmas de adultos. Dez é o limite para grupos de crianças e adolescentes.

Instalações

- A disponibilidade de equipamentos de som e vídeo em sala de aula, ou mesmo em um outro ambiente da escola, mostra que o curso se preocupa em oferecer ao professor condições de trabalhar com diferentes materiais e mídias. Assim, o aluno terá uma diversidade maior de atividades pedagógicas.

- No caso de crianças que ainda não estejam em idade escolar, é desejável que a escola ofereça salas compatíveis com suas necessidades – e, vale salientar, profissionais capacitados para o ensino de alunos dessa faixa etária.

- Quanto maior a exposição do aluno a um material desenvolvido originalmente em língua estrangeira e que seja, de algum modo, significativo para ele, maior será seu interesse pelos estudos e mais rápido o desenvolvimento de suas habilidades – ler, escrever, compreender e falar. Valorize os cursos que tenham biblioteca e videoteca à disposição dos alunos e questione se esse material será efetivamente usado em sala de aula.

Internet e multimídia

- O computador pode ser bastante producente para o aluno. Verifique, porém, se as salas de informática são efetivamente freqüentadas e de que forma o acesso à Internet ou o uso de CD-ROMs de ensino de línguas é conduzido. O computador é um instrumento válido para a aprendizagem de línguas estrangeiras apenas se aplicado em situações que envolvem a interatividade e desenvolvem a criatividade do aluno no idioma. Muitos programas limitam-se a reproduzir na tela do computador o que o aluno poderia fazer usando papel e caneta.

- Usar o tempo de aula para dar acesso aos alunos à Internet é um desperdício se não houver uma intenção pedagógica no uso da rede, seja visitando sites específicos de ensino de idiomas ou navegando para cumprir tarefas planejadas pelo professor.

Na própria escola (para estudantes)

- Há colégios que oferecem convênios com um curso de idiomas que ministra as aulas dentro da própria escola. Você terá vantagens, como reduzir os gastos e o transtorno com o transporte.

- Unir as duas atividades no mesmo lugar pode funcionar bem se a escola dispuser de um espaço especialmente preparado para o ensino de línguas. Verifique o número de alunos por turma, a qualificação dos professores e, principalmente, como será feita a divisão dos grupos – por faixa etária, por série ou por competência na língua. No caso de crianças, as diferenças de idade e de conhecimento podem ser inibidoras para um bom desempenho dos mais jovens.

- Analise se não será mais interessante para a criança ou para o adolescente freqüentar o curso em outro local, com a possibilidade de fazer novas amizades e estar em um ambiente diferente.

30 de setembro de 2010

Como escolher um curso de idiomas – Parte I

É muito comum que amigos, clientes e conhecidos me perguntem quais são os melhores cursos (presenciais) de idiomas no Brasil. Na verdade, melhor do que recomendar é esclarecer quais são os pontos fundamentais a serem considerados no momento de escolher um bom curso.

Apesar de não considerar nem o e-learning nem as aulas particulares, um artigo do professor gaúcho Robertson Barros que se propõe a ser um “guia para ajudá-lo a selecionar a melhor opção entre as escolas de língua estrangeira” pareceu-me muito interessante e tomo a liberdade de sintetizá-lo e complementá-lo aqui.

Como escolher um curso de idiomas – Parte I

O custo não deve ser fator preponderante. [...] Identifique as escolas nas proximidades de casa e comece as visitas. Considere sempre o desempenho de alunos formados por determinado curso de línguas. [... ]Com uma lista menor em mãos, torna-se mais fácil a análise dos demais fatores importantes: a qualificação dos professores, o material didático, o número de alunos por turma, a estrutura do curso de idiomas e os recursos disponíveis aos alunos.

Por onde começar…

Considere, antes de tudo, os três fatores abaixo:

- Descarte os cursos que prometem maravilhas, como a aprendizagem do idioma em um ano. O estudo de uma língua estrangeira é um processo gradual, que requer continuidade e nunca termina [...]. Quem aprendeu um idioma e deixou de praticá-lo sabe bem que as habilidades se perdem com o passar do tempo.

- Desconfie das escolas preocupadas mais em apresentar a estrutura física do que explicar seu projeto pedagógico e sua metodologia. Não há sala de informática perfeita ou sala de espera ricamente decorada que faça [alguém] aprender melhor do que um bom professor, apoiado por projeto educacional e material didático igualmente de qualidade.

- Evite os cursos que insistirem no pagamento do valor integral das mensalidades logo no primeiro mês – a não ser que se trate de uma instituição conhecida e de tradição. Prefira o parcelamento. Caso [não se satisfaça] com o andamento das aulas, trancar a matrícula será menos problemático.

Professores

- Os cursos livres de idiomas (assim chamados por não terem um currículo mínimo ou disciplinas exigidos por lei) não são obrigados a contratar professores graduados em Letras. Profissionais com formação universitária em outras áreas, e até mesmo sem qualquer diploma de curso superior, podem trabalhar.

- A maioria das escolas aproveita essa liberdade para contratar, como instrutores, pessoal sem formação específica em ensino e aprendizagem de idiomas, num esforço para baratear custos. Verifique o currículo daquele que será o professor da turma de seu filho.

- A graduação em Letras é o mais indicado, mas há bons profissionais no mercado vindos de outras áreas. No entanto, a realização de um curso complementar (de especialização ou a participação em congressos e seminários) em ensino de idiomas é essencial, o que denota interesse na busca constante de aperfeiçoamento. O treinamento inicial oferecido pelas próprias escolas não é suficiente. Muitas instituições costumam tentar atrair alunos alegando que seus professores tiveram vivência no Exterior ou que são falantes nativos da língua que ensinam. Mas tenha cuidado: isso pode indicar que o profissional é um falante competente naquele idioma, mas não necessariamente que ele sabe ensiná-lo para alunos daqui. Se fosse assim, qualquer brasileiro ou mesmo um estrangeiro que tivesse vivido alguns anos no Brasil seriam bons professores de português, o que não é verdade.

- É muito mais provável que um professor brasileiro, que teve que aprender no Brasil aquela língua estrangeira e passou pelas mesmas dificuldades de seus alunos, saiba conduzir melhor o processo de aprendizagem do idioma do que alguém que não seguiu o mesmo caminho para compreender a língua.

- A vivência no Exterior não deve ser mais importante no currículo do professor de idiomas do que a formação específica para o ensino de línguas estrangeiras, seja o curso superior de Letras ou complementares.

Material didático

- Muitas escolas, sobretudo as franquias, anunciam uma metodologia própria de ensino, característica que você deve observar bem. O investimento em um método exclusivo torna-se, muitas vezes, um entrave para que a escola promova modificações ou modernizações, já que os custos de elaboração e impressão do material didático tornam-se elevados e podem inibir futuras alterações substanciais. Essas escolas também costumam ser mais rígidas em relação ao uso de materiais suplementares por parte dos professores e, não raro, até mesmo as aulas são mais padronizadas se comparadas às de outras instituições. As grandes franquias são pensadas para funcionar nas mais diversas regiões do país, enquanto escolas locais buscam, em geral, adaptar-se ao ambiente dos alunos.

- Línguas como o inglês e o espanhol, bastante estudadas e pesquisadas em todo o mundo, têm sempre novos lançamentos em material didático, mais modernos e bem elaborados. É mais vantajoso optar por uma escola que adote livros de editoras e autores renomados, uma vez que, por conta disso, se tem mais liberdade para mudar de metodologia ou de material caso seja necessário. Conheça o método e os recursos oferecidos Ao visitar a escola, descubra um detalhe importante sobre o método de ensino.

Em alguns cursos, o professor fala somente no idioma estrangeiro, desde o primeiro dia de aula, o que pode acabar intimidando ou desestimulando alguns estudantes. O número de alunos por turma é importante: entre cinco e oito por sala é o ideal.

17 de junho de 2009

Português – Espanhol (Aspectos Comparativos) Parte I (port.)

Olá!

como, por motivos diversos, muitas pessoas precisam ler em português ou espanhol sem nunca ter estudado a outro língua de forma estruturada, pensei que poderia ser útil fazer algumas postagens sobre aspectos comparativos que podem servir de base para quem está dando os primeiros passos e enriquecer os conhecimentos de quem já estuda, abrindo um pouco mais as portas da compreensão interlinguística das nossas línguas irmãs (ou isoglossas, em terminologia científica).

Contudo, é fundamental destacar que estas informações têm um caráter complementar, já que a assimilação efetiva de um idioma estrangeiro só ocorre com a combinação bem dosificada e orientada de:

1) Informação gramatical (para formar um banco de dados conscientes e inconscientes sobre a língua)
+
2) Prática orientada
(para utilizar ainda de forma artificial as novas estruturas)
+
3) Correções de um profissional
(para que a informação se transforme em ação linguística e comece a ser moldada de forma correta e assimilada sem o risco da formação de vícios ou cristalizações do erro por falta de acompanhamento)
+
4) Contato e uso constante do idioma
(Deve existir desde o início da assimilação, inicialmente com um pouco menos de interação linguística e muita observação, análise, comparação e percepção sonora. Em uma fase posterior, quando o aluno já conhece as regras e já foi corrigido individualmente, sua capacidade de auto-correção indica que entrou na terceira fase do aprendizado – a mais importante – em que começa a construir suas competências pessoais na nova língua, em um processo infinito de aquisição de vocabulário e aperfeiçoamento).

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