Posts tagged ‘adônis’

28 de março de 2009

Pequena biografia de Adônis, poeta sírio.

Adônis (pseudônimo de Ali Ahmed Said Esber) é considerado hoje como o maior poeta árabe vivo. Seu pseudônimo refere-se ao deus de origem fenícia, símbolo da renovação cíclica. Nascido em 1930 em um vilarejo nas montanhas do norte da Síria, Adônis recebeu sua formação em poesia do pai, um camponês instruído. Em 1947 ele vai ao vilarejo vizinho onde se encontra com o presidente sírio Choukri al-Kouwatli. Adônis, então com doze anos, declama sua prosa e seduz a multidão. O presidente decide lhe conceder uma bolsa e ele parte para o liceu francês de Tartous. É diplomado pela universidade síria de Damasco em 1954 (licenciatura em filosofia).

Publica seus primeiros poemas aos dezessete anos. Sua coletânea Cantos de Mihyar o Damasceno é lançada em 1961 e simboliza um dos atos fundadores da poesia árabe moderna. A tradução ao francês, que aparecerá em 1983, marcará para Adônis o início de seu reconhecimento mundial. Em 1955 é mantido preso por seis meses por pertencer ao Partido Popular Sírio, um partido que defendia a expansão da Síria sobre a quase totalidade do oriente médio. Após sua libertação em 1956, ele foge a Beirute, onde funda em 1957, com o poeta sírio-libanês Youssouf al-Khal, a revista Chi’r (Poesia), que se propõe a libertar a poesia árabe de seus grilhões e abri-la às influências estrangeiras.

Em 1968 funda a revista Mawâkif (Posições), que espera constituir-se um espaço de liberdade e ao mesmo um laboratório de renovação “desestruturante” da poesia – ela é imediatamente proibida no mundo árabe. É neste momento que ele traduz Baudelaire, Henri Michaux e Saint-John Perse ao árabe e Aboul Ala el-Maari ao francês. Adônis procura a renovação da poesia árabe contemporânea partindo de seu passado glorioso, mas também observando a riqueza da poesia ocidental. Em 1980, logo após a guerra civil libanesa, ele foge do Líbano e termina por se refugiar em Paris em 1985.

Hoje a poesia de Adônis, feita de múltiplos ecos, leva sua voz mais além das fronteiras do espaço e do tempo. Entre suas obras traduzidas ao francês, citamos: Chants de Mihyar le Damascène (Poésie-Gallimard, 1983); Lê temps des villes (Mercure de France, 1990); Mémoire du vent (Poèmes 1957-1990) (Poésie-Gallimard, 1991); La prière et l’Epée : essai sur la culture arabe (Mercure de France, 1993); Tombeau pour New York (Sindbad-Actes Sud, 1999).

Possíveis traduções dos títulos ao português: Cantos de Mihyar o Damasceno, O tempo das cidades, Memória do vento, A oração e a espada: ensaio sobre a cultura árabe,
Tumba para Nova Iorque.

28 de março de 2009

Sobre a dignidade do ser humano

Trecho de entrevista de Constantin von Barloewen com Adônis, poeta sírio.

Constantin von Barloewen: Os pintores mexicanos Diego Rivera ou Rufino Tamayo costumavam dizer que um grande homem continua sendo grande mesmo quando está na sarjeta. A dignidade do homem, que é sua essência, parece haver sido possível nas culturas tradicionais asiáticas, africanas e latino-americanas, enquanto que na tradição calvinista da América do Norte esta concepção parece impensável.

Adônis (poeta sírio): A dignidade é a própria essência do ser humano, mas este ser humano infelizmente é oprimido, é humilhado, está sempre em crise, prisioneiro, é caçado, é emigrante. O sofrimento do ser humano é imenso em nosso mundo e isto vai contra sua dignidade. Tentam tratar o ser humano como se trata uma coisa, mas isto é perigoso. Medir a dignidade do homem por sua riqueza financeira é um ato absurdo.

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