Arquivo por Autor

8 de maio de 2012

Serviços / Servicios / Services

- Tradução / Traducción / Translation / Traduction: Português-Español-English-Français

- (PT) Revisão de textos técnicos ou literários em português (gramática e estilo)
- (ES) Revisión de textos técnicos o literarios en español (gramática y estilo)

- (PT) Aulas presenciais ou on-line de espanhol ou português para estrangeiros
- (ES) Clases presenciales o en línea de portugués o español para extranjeros
- (EN) On site or Online Portuguese or Spanish Classes
- (FR) Des cours présentiels ou en ligne de portugais ou d’espagnol

(PT) Intérprete de conferências, reuniões, palestras: espanhol-português ou português-espanhol
(ES) Intérprete de conferencias, reuniones, charlas: español-portugués o portugués-español
- (EN) Interpreter: conferences, meetings, lectures: Spanish-Portuguese or Portuguese-Spanish
(FR) Interprète de conférences, réunions, allocutions: espagnol-portugais ou portugais-espagnol

- (PT) Consultoria linguística: comunicação interna e externa de empresas multinacionais ou com negócios no exterior, apoio linguístico e sociocultural para produções artísticas/televisão/cinema, preparação/treinamento linguístico de atores e músicos, temas de ensino-aprendizagem de idiomas, estruturação de cursos, questões relativas a nivelamento de alunos, testes de nível, Quadro Europeu Comum de Referência, pesquisas sobre temas específicos, entre outros.

- (ES) Consultoría lingüística: comunicación interna y externa de empresas multinacionales o con negocios en el exterior, apoyo lingüístico y sociocultural para producciones artísticas/televisión/cine, preparación/capacitación lingüística de actores y músicos, temas de enseñanza-aprendizaje de idiomas, estructuración de cursos, cuestiones relativas a evaluaciones de nivel de alumnos, pruebas de nivel, Marco Común Europeo de Referencia para las Lenguas, investigaciones sobre temas específicos, etc.

- (FR) Services de conseils et de consultation linguistique: de la communication interne et externe des sociétés multinationales ou qui ont des affaires au Brésil ou dans un pays hispanophone de l’Amérique du Sud, du soutien linguistique et socioculturel pour des productions artistiques/télévision/cinéma, de la préparation/entrainement linguistique d’acteurs et de musiciens, des sujets d’enseignement-apprentissage du portugais-brésilien et des variétés de l’espagnol des pays du Mercosur/Mercosul, tests de niveaux, Cadre Européen Commun de Référence pour les Langues, des enquêtes aux sujets spécifiques.

9 de fevereiro de 2012

Memórias Póstumas de Brás Cubas – O Filme

 

Sobre o filme Memórias Póstumas de Brás Cubas

Texto de Antônio da Silva Câmara (camara@ufba.br)
Sociólogo. Doutor pela Universite de Paris VII – 1994. Professor do
Departamento de Sociologia e da Pós-graduação em Ciências Sociais
(PPGCS)/ UFBA.

Sinopse

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”

Após sua morte, no ano de 1869, Brás Cubas, disposto a se distrair um pouco na eternidade, decide narrar suas memórias e revisitar os fatos mais marcantes de sua vida. Relembra sua infância, juventude e personagens marcantes, como o amigo Quincas Borba, que passa de mendigo a milionário. Discorre ainda sobre sua formação acadêmica em Portugal e o discutível privilégio de nunca ter precisado trabalhar. Baseado no romance de Machado de Assis – um dos mais importantes da literatura brasileira – o filme mantém as características que marcam o personagem machadiano e alterna ironia e amargura, melancolia e bom-humor sem perder a leveza. Em qualquer estado de espírito, ele nos surpreende pela irreverência e devastadora lucidez.

Comentário crítico de Antônio da Silva Câmara sobre o filme (PDF)

9 de janeiro de 2012

Preconceito linguístico

 

Texto do livro PRECONCEITO LINGÜÍSTICO, de Marcos Bagno, Edições Loyola.

Cap. IV – O preconceito contra a lingüística e os lingüistas;
1. uma religião mais velha do que o cristianismo. – pág. 173 a 175.

14 de novembro de 2011

Dicionários de Sinônimos

 

 

 

Não existem muitos dicionários de sinônimos on-line para a língua portuguesa, por isso apresento alguns que encontrei recentemente:

Sinônimos (www.sinonimosonline.com.br)

DicSin: Dicionário de Sinônimos OpenOffice.org

 

8 de setembro de 2011

Falsos amigos: revogar, rebocar (pt)/ revocar (es)

¡Ojo con los falsos amigos! Los significados posibles del verbo “revocar” en español se traducen con dos verbos distintos al portugués: “revogar” y “rebocar”.

Atenção com os falsos cognatos! Os significados possíveis do verbo “revocar” em espanhol devem ser traduzidos com dois verbos diferentes ao português: “revogar” e “rebocar”.

Español/Castellano: (Fuente: María Moliner)

revocar

1 (ant.) tr. Volver a *llamar.
2 *Disuadir a alguien de un propósito.
3 *Anular una decisión, disposición u orden; particularmente, hacerlo una autoridad: “El juez revocó la orden de detención. Revocar una sentencia”. *Abolir, abrogar, derogar, invalidar. *Desdecirse.
4 Obligar una corriente de aire a volverse atrás a una cosa que debía ir en cierta dirección; particularmente, al *humo.
5 *Enlucir o *pintar de nuevo la pared exterior de un edificio. Forjar. Embarrado, enversado, revoco, revoque.

Português: (Fuente: Houaiss)

revogar

1 tornar (algo) sem efeito, fazer deixar de vigorar; anular
Ex.: r. uma lei
1.1 Rubrica: termo jurídico.
cancelar, anular os efeitos (de um ato, uma lei etc.), proceder à revogação de

rebocar (1)
1 recobrir com reboco; revestir
Ex.: na hora de r. as paredes o pedreiro fez a maior sujeira

2 Derivação: sentido figurado. Uso: informal.
usar muita maquiagem em
Ex.: ela reboca tanto o rosto que poucos conhecem sua verdadeira aparência

¡Ojo de nuevo! “Rebocar” en portugués también puede significar “remolcar” en español.

Atenção de novo! Com a acepção seguinte (conduzir ou puxar por meio de cabo) a tradução do verbo “rebocar” em português será “remolcar” em espanhol!

Português (Fuente: Houaiss)
rebocar (2)
1 Rubrica: termo de marinha.
conduzir (embarcação) a reboque ou puxar por meio de cabo, sirga, corda, corrente; atoar
Ex.: para desencalhar, foi preciso r. o navio

Español/Castellano (Fuente: María Moliner)
remolcar
1 tr. *Arrastrar una barca tirando de ella con una cuerda. Arrastrar un vehículo a otro tirando de él. Atoar, jorrar, jovar, toar. Atoaje. Sirgar. Jardinera, remolque, roulotte.
2 Hacer que alguien haga una cosa sin sentirse inclinado a ello. Con este sentido se usan más las expresiones formadas con “a remolque”: “Llevar a remolque”. *Arrastrar.

29 de agosto de 2011

Tradurre – Documental italiano sobre el arte de traducir

“Synopsis: Translating tells about the journey of words from a language to another. Translators are used to face words, to follow their traces and force them into new spaces. Translators have to master not only a language but also what’s behind it: an entire culture and an idea of the world; that’s why we have asked ten translators to come with us in this journey through words and languages and take us to discover these worlds. Every language is a sound and the translator is a sort of musician. We find a musical instrument beside every language: conservatory students try to perform the same sheet of music translating the same melody into their own instrument. Language is also a mixture and the translator is a baker who prepares the bread everyday. In every country we can find different shapes of bread, made by the same ingredients. Language, like bread, is an alchemy we put on the table and eat everyday. To make this documentary, I put translators together with musicians and bakers. Each of them tells about an aspect of translating. The translator at his desk explains its deep sense, the musician with his own instrument makes us listen to the sound, the night baker reveals his mixture.”

9 de agosto de 2011

Muchas palabras para la astucia/viveza latinoamericana

El vivir en latinoamérica nos exige, aunque ello seguramente no es una exclusividad de nuestro espacio geocultural, el reconocimiento constante de lo que en Argentina se llamaría un tipo “vivo”, un artero, alguien que utiliza su astucia para conseguir algo por medios no muy éticos u honestos. A veces también se nos demanda SER vivos y cada uno se las arregla para serlo en distintos niveles y luego hacer las paces con su propia conciencia, cuando esta última existe.

La lengua portuguesa, en este ámbito, nos provee un gran abanico de posibilidades. Helas aquí para que las disfruten y las apliquen en sus traducciones:

Fuente: Diccionario Houaiss de la lengua portuguesa (de todos los países lusófonos).

“aldagrante, aldrabão, aldrúbio, arapuqueiro, argamandel,

…bargado, bilontra, burlador, burlão, burlista,

…caloteiro, cambalacheiro, cangancheiro, criterioso,

…desonesto,

…escroque, espertalhão, esperto, estelionatário, estradeiro,

…falcatrueiro, furtador,

…girigote,

…intruja, intrujão, jirigote,

…ladrão, ludibriador,

…maroto, mofatrão,

…pandilha, pandilheiro, patifão, patife, patifório, pícaro, pilantra,

…ribaldo,

…safado, solerte,

…tracambista, trafulha, trambiqueiro, tramista, tramoieiro, trampolineiro, trapaçador, trapaceador, trapaceiro, trapacento, trapalhão, tratante, troca-tintas, tunador, tunante, tuno,

…vedóia, velhaco, vigarista.”

A estas les agregaría la palabra “malandro”, que no entiendo por qué el gran filólogo Houaiss no incluyó en la sinonimia de “trapaceiro”, lo que sí hizo con todas las que acabo de citar.

Y la ganadora es la letra T :)

3 de maio de 2011

Era uma linha muito engraçada

Numa das moedas de centavos de peso,
de cheiro a velharia e barba feita envolta em pó,
duma esquina fedorenta de porto e mofo,
esboço e olho um dia após o outro
num devagar quase morto, de indesejo
e torpor inepto, solto,

Quando de repente insistentemente faz-me preciso alinhar
as réguas das horas, dos minutos que passam voando
num vaso sem barro nem borda nem rede nem porta nem cacto.

Impulso feliz de fazer e feliz de perambular incauto
nas vagabundices esquisitas mofando
mendigas do tempo, sem linhas, frouxas, desleixantes, esquisitas.

É no reto dessas linhas que não encontro e não sinto
e que não o faço, duma vez, direto, preciso, volumoso, não torto.

Fazem-nas bravas e eretas tantos, e sem curvas e em maciça produção,
enquanto eu, peralta torpe arteiro atrapalhado, brinco no tempo sem linha
produto e produção sem canção sem linhas, voltas brutas,
e sempre em meias voltas perco de novo o fio de ontem.

Era e é um jeito muito engraçado que não tem porta
não tem nada, e é verdade que ninguém pode saber
que sou eu que não o tenho não,
num reboliço sem jeito, sem ordem, com fome,
muito engraçado, sem chão, sem teto, que entendo não.

1 de novembro de 2010

¿Dónde está la libertad de prensa en los medios brasileños?

Traducción mía del artículo publicado por la psicoanalista Maria Rita Kehl el 02 de octubre de 2010, víspera de la primera vuelta de las elecciones en Brasil, que motivó su despido, al día siguiente, del diario O Estado de São Paulo.

“Dos pesos…

Este diario ha tenido una actitud que considero digna: ha dejado explícito a sus lectores que apoya al candidato Serra en las presentes elecciones. De este modo, se hace más honesta la discusión que se desarrolla en sus páginas. El debate electoral que nos conducirá a las urnas mañana se ha vuelto agresivo. Algunos electores se declaran exhaustos y desilusionados con el vale-todo que ha marcado la disputa por la Presidencia de la República. Las campañas, convertidas en un espectáculo televisivo, ya no convencen a nadie. Pese a esto, algo importante está en juego este año. Aparentemente tenemos una lucha de clases en Brasil: esta que muchos creen haber sido soterrada por los últimos ladrillos del Muro de Berlín. En la televisión se maquilla la pelea, pero en Internet el juego es duro.

Si el “populacho” de las llamadas clases D y E – ese que vive en los parajes perdidos del interior de Brasil – tuviese acceso a Internet, se indignaría y se rebelaría quizás en contra de las innumerables cadenas de mensajes que descalifican sus votos. El argumento ya le resulta familiar al lector: los votos de los pobres a favor de la continuidad de las políticas sociales implementadas durante los ocho años de gobierno Lula no valen tanto como los nuestros. No son una expresión consciente de voluntad política. Habrían sido comprados al precio de aquello que una parte de la oposición llama “bolsa-limosna”.

Una de estas cadenas llegó a mi bandeja de entrada luego de pasar por diversos destinatarios. Reproducía la denuncia hecha por “una prima” del autor, residente en Fortaleza. La denunciante, indignada con la indolencia de los trabajadores no calificados de su ciudad, se quejaba porque ya nadie quería ocupar el puesto de portero del edificio en que vive. Los candidatos naturales al empleo preferían vivir en la flojera, con la plata del proyecto Bolsa-Familia. ¡Y ahora esto! ¡A qué punto llegamos! Ya no se hacen pobretones como antes. ¿Adónde fueron a parar los verdaderos humildes que tanto le gustaban al patronato cordial?, capaces de trabajar mucho más que las ocho horas reglamentarias por una miseria.

Sí, porque es curioso que nadie haya cuestionado el valor del salario ofrecido por la administración del edificio en la capital del estado de Ceará. Cambiar el empleo por la Bolsa-familia solo les resultaría ventajoso a esos supuestos sujetos avispados, perezosos y aprovechados si el sueldo ofrecido fuese inconstitucional: inferior a la mitad del mínimo. R$ 200 ($ 460 pesos argentinos) es el valor máximo al que llega la suma de todos los beneficios del gobierno para el que tiene más de tres hijos, a condición de que los mantenga en la escuela.

Otra denuncia indignada que corre por Internet es que en una ciudad del interior de Piauí, donde viven los parientes de la empleada de algún paulistano, todos los habitantes viven del dinero de los programas del gobierno. Si esto es verdad, resulta asombroso imaginar de qué vivían antes de la implementación del proyecto. Se pasaba hambre, seguramente, como en la asustadora película Garapa, de José Padilha. Se pasaba hambre todos los días. Siguen siendo pobres las familias que se encuentran por debajo de la clase C y que hoy reciben la bolsa, sumada a la platita de alguna jubilación. La diferencia es que ahora comen. Algunos incluso logran producir y venderles a otros que también han empezado a comprar algo que comer. El economista Paul Singer informa que, en los pueblos, esa pequeña entrada financiera tiene un efecto sorprendente sobre la economía local. El Bolsa-Familia, créanlo o no, proporciona las condiciones de consumo capaces de generar empleos. El voto de la patota de la “limosnita” es político y revela una conciencia de clase recién adquirida.

Brasil ha cambiado mucho en este aspecto. Sin embargo, al contrario de lo que piensan los indignados de Internet, ha cambiado para mejor. Hasta hace poco tiempo algunos empleadores solían contratar por menos de un salario mínimo a personas sin alternativa de trabajo y sin conciencia de sus derechos, pero hoy ya no es tan fácil encontrar a alguien que acepte trabajar en estas condiciones. Les conviene más intentar la vida a partir de la Bolsa-Familia, que, pese a ser modesta, redujo de un 12% a un 4,8% la franja de población en estado de extrema pobreza. ¿Tendrá idea el lector paulistano de cuán pobre es necesario ser para salir de esta franja por una diferencia de R$200? Cuando el Estado empieza a asegurarle algunos derechos mínimos a la población, esta se politiza y pasa a exigir que estos derechos se cumplan. Un amigo ha decidido nombrar este efecto “acumulación primitiva de democracia”.

No obstante, pareciera que el voto de esta gente despierta aún el argumento de que los brasileños, como en la inolvidable observación de Pelé, no están preparados para votar. No todos, claramente. Luego de la segunda vuelta electoral del 2006, el sociólogo Hélio Jaguaribe afirmó que un 60% de los brasileños que habían votado por Lula habían tenido en cuenta exclusivamente sus propios intereses, mientras que el otro 40%, los supuestos electores instruidos, pensaba en los intereses del País. Lo único que Jaguaribe no explicó fue cómo es posible que Brasil, dirigido por la elite instruida que se preocupaba por los intereses de todos, haya llegado al tercer milenio contando con un 60% de su población tan inculta a punto de que su voto sea descalificado como poco republicano.

Ahora que los más pobres han logrado elevar sus cabezas más arriba de la línea de la mendicidad y de la dependencia de las relaciones de favor que siempre caracterizaron las políticas locales en el interior del País, dicen que votar por una causa propia no vale. Cuando, por primera vez, los sin-ciudadanía han conquistado algunos derechos mínimos que desean preservar por la vía democrática, una parte de los ciudadanos que se consideran como clase A viene a descalificar en público la seriedad de sus votos.”

1 de novembro de 2010

Onde está a “liberdade de imprensa” na mídia brasileira?

O artigo “Dois pesos…” da psicanalista Maria Rita Kehl motivou a decisão do jornal O Estado de S. Paulo de afastá-la de seu quadro de colaboradores, especialmente no Caderno 2.

Maria Rita Kehl escreveu um artigo em que inicia cumprimentando a atitude digna do jornal O Estado de S. Paulo.

Eis o texto:

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria?

Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade dos seus votos.”

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