um duto de ideias (agora sem acento)
onde o ar fresco da nova ortografia
encontra um lugar de passeio
E com novo jeito e novo ar, quero deste espaço a leveza
do espaço aberto
de um canal limpo, claro, descontraído
este
novo duto por onde talvez circulem
momentos, vozes, falas
coisas importantes
outras nem tanto
vontades de exprimir
o simples e o profundo do preto no branco e da ciranda das palavras que me buscam
todos os dias
como linguista, como tradutor
ou como “traduCtor” nos novos e velhos ares bons da Buenos Aires que me rodeia
na seriedade responsável do traduzir, no prazer intenso de conduzir a palavra
sem me fazer uma ilha lusófona, como Saramago se diz no anseio da pureza de linguagem
e na calma de quem se casou com a tradução e, em golpe de mestre, dela se fez mais livre,
porque ao inverso dele prefiro ser uma península
aberta e com muitos braços
com muitos ares vindos de direções diferentes
vários du(c)tos que me trazem e me levam
pra mais perto ou longe do que mais importa:
o humano