
É muito comum que amigos, clientes e conhecidos me perguntem quais são os melhores cursos (presenciais) de idiomas no Brasil. Na verdade, melhor do que recomendar é esclarecer quais são os pontos fundamentais a serem considerados no momento de escolher um bom curso.
Apesar de não considerar nem o e-learning nem as aulas particulares, um artigo do professor gaúcho Robertson Barros que se propõe a ser um “guia para ajudá-lo a selecionar a melhor opção entre as escolas de língua estrangeira” pareceu-me muito interessante e tomo a liberdade de sintetizá-lo e complementá-lo aqui.
Como escolher um curso de idiomas – Parte I
O custo não deve ser fator preponderante. [...] Identifique as escolas nas proximidades de casa e comece as visitas. Considere sempre o desempenho de alunos formados por determinado curso de línguas. [... ]Com uma lista menor em mãos, torna-se mais fácil a análise dos demais fatores importantes: a qualificação dos professores, o material didático, o número de alunos por turma, a estrutura do curso de idiomas e os recursos disponíveis aos alunos.
Por onde começar…
Considere, antes de tudo, os três fatores abaixo:
- Descarte os cursos que prometem maravilhas, como a aprendizagem do idioma em um ano. O estudo de uma língua estrangeira é um processo gradual, que requer continuidade e nunca termina [...]. Quem aprendeu um idioma e deixou de praticá-lo sabe bem que as habilidades se perdem com o passar do tempo.
- Desconfie das escolas preocupadas mais em apresentar a estrutura física do que explicar seu projeto pedagógico e sua metodologia. Não há sala de informática perfeita ou sala de espera ricamente decorada que faça [alguém] aprender melhor do que um bom professor, apoiado por projeto educacional e material didático igualmente de qualidade.
- Evite os cursos que insistirem no pagamento do valor integral das mensalidades logo no primeiro mês – a não ser que se trate de uma instituição conhecida e de tradição. Prefira o parcelamento. Caso [não se satisfaça] com o andamento das aulas, trancar a matrícula será menos problemático.
Professores
- Os cursos livres de idiomas (assim chamados por não terem um currículo mínimo ou disciplinas exigidos por lei) não são obrigados a contratar professores graduados em Letras. Profissionais com formação universitária em outras áreas, e até mesmo sem qualquer diploma de curso superior, podem trabalhar.
- A maioria das escolas aproveita essa liberdade para contratar, como instrutores, pessoal sem formação específica em ensino e aprendizagem de idiomas, num esforço para baratear custos. Verifique o currículo daquele que será o professor da turma de seu filho.
- A graduação em Letras é o mais indicado, mas há bons profissionais no mercado vindos de outras áreas. No entanto, a realização de um curso complementar (de especialização ou a participação em congressos e seminários) em ensino de idiomas é essencial, o que denota interesse na busca constante de aperfeiçoamento. O treinamento inicial oferecido pelas próprias escolas não é suficiente. Muitas instituições costumam tentar atrair alunos alegando que seus professores tiveram vivência no Exterior ou que são falantes nativos da língua que ensinam. Mas tenha cuidado: isso pode indicar que o profissional é um falante competente naquele idioma, mas não necessariamente que ele sabe ensiná-lo para alunos daqui. Se fosse assim, qualquer brasileiro ou mesmo um estrangeiro que tivesse vivido alguns anos no Brasil seriam bons professores de português, o que não é verdade.
- É muito mais provável que um professor brasileiro, que teve que aprender no Brasil aquela língua estrangeira e passou pelas mesmas dificuldades de seus alunos, saiba conduzir melhor o processo de aprendizagem do idioma do que alguém que não seguiu o mesmo caminho para compreender a língua.
- A vivência no Exterior não deve ser mais importante no currículo do professor de idiomas do que a formação específica para o ensino de línguas estrangeiras, seja o curso superior de Letras ou complementares.
Material didático
- Muitas escolas, sobretudo as franquias, anunciam uma metodologia própria de ensino, característica que você deve observar bem. O investimento em um método exclusivo torna-se, muitas vezes, um entrave para que a escola promova modificações ou modernizações, já que os custos de elaboração e impressão do material didático tornam-se elevados e podem inibir futuras alterações substanciais. Essas escolas também costumam ser mais rígidas em relação ao uso de materiais suplementares por parte dos professores e, não raro, até mesmo as aulas são mais padronizadas se comparadas às de outras instituições. As grandes franquias são pensadas para funcionar nas mais diversas regiões do país, enquanto escolas locais buscam, em geral, adaptar-se ao ambiente dos alunos.
- Línguas como o inglês e o espanhol, bastante estudadas e pesquisadas em todo o mundo, têm sempre novos lançamentos em material didático, mais modernos e bem elaborados. É mais vantajoso optar por uma escola que adote livros de editoras e autores renomados, uma vez que, por conta disso, se tem mais liberdade para mudar de metodologia ou de material caso seja necessário. Conheça o método e os recursos oferecidos Ao visitar a escola, descubra um detalhe importante sobre o método de ensino.
Em alguns cursos, o professor fala somente no idioma estrangeiro, desde o primeiro dia de aula, o que pode acabar intimidando ou desestimulando alguns estudantes. O número de alunos por turma é importante: entre cinco e oito por sala é o ideal.
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