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Colombia: el único riesgo es que te quieras quedar!

Não foi somente essa campanha turística do governo colombiano que me levou a passar um mês naquele país incrível, mas com certeza a campanha não mente. Como em todos os outros âmbitos da vida, os preconceitos e pré-julgamentos são altamente corrosivos. O caso da Colômbia não é uma exceção. Hoje o país tem níveis de segurança muito superiores a quase todos os grandes países da América Latina e seu povo gentil, educado e acolhedor reforça essa segurança ajudando a cuidar com esmero de qualquer estrangeiro que vê passar.

A este país riquíssimo, amável, diverso e com perfume de café vou dedicar alguns posts. Neles tentarei mostrar alguns dos termos, usos e gírias atuais da Colômbia que geralmente não aparecem nos livros de espanhol para estrangeiros nem nas bocas dos professores.

Neste caminho deparei-me com algumas surpresas agradáveis ao perceber que há muito vocabulário compartilhado entre a Colômbia e o Brasil. No entanto, também há alguns exemplos engraçados de falsos cognatos (palavras iguais ou parecidas com significados diferentes) que poderiam gerar situações algo embaraçosas.

LISTAS POR TEMA

ROUPA:

BRASIL – COLOMBIA – ARGENTINA
Camiseta – Camiseta – Remera
Bermuda – Pantaloncillos – Short
Meias – Medias – Medias
Calcinha – Panties – Bombacha
Tênis – Tenis – Zapatilla
Casaco – Saco – Saco
Jaqueta – Chaqueta – Campera

PARTES DO CORPO:
Cabelo – Cabello – Pelo

MEIOS DE TRANSPORTE
Carro – Carro – Auto
Ônibus normal – Bus – Micro
Ônibus urbano – Buseta* – Colectivo
Ônibus biarticulado – Transmilenio – …
Metrô – Metro – Subte

*Ahã, soa exatamente como aquela palavra que passou pela sua cabeça!

Continua…

Portugal y España / Fado y Flamenco / Negro y Rojo / Portugués y Castellano… un retrato simbólico de estos dos mundos paralelos en cuatro minutos de canción – semiológica y musicalmente riquísimos :)

Portugal e Espanha / Fado e Flamenco / Preto e Vermelho / Português e Castelhano… um retrato simbólico destes dois mundos paralelos em quatro minutos de canção – semiológica e musicalmente riquíssimos :)

O verbo “jugar” em espanhol significa tanto brincar quanto jogar um jogo de tabuleiro ou jogar futebol, vôlei, basquete etc. A palavra “juguete” significa brinquedo. O verbo “brincar” em espanhol significar dar pequenos pulos, saltitar. Uma brincadeira de criança em espanhol é um “juego”, um jogo de futebol é “un partido de fútbol” e uma brincadeira adulta (no sentido de piada ou burla) é uma “broma”. Quando a piada tem historinha é um “chiste”.

El verbo “jogar” en portugués no tiene la misma gama de significados que el verbo “jugar” en español. Se aplica exclusivamente a los juegos de mesa o a los deportes como el fútbol, el voleibol etc. El verbo “brincar” se aplica a los juegos de los niños y “brinquedo” es un juguete. Una “brincadeira” es un juego infantil, pero también es una broma o un chiste que puede no ser tan infantil! En los casos en que se usa el verbo “brincar” en español, en portugués diríamos “dar pulos” o “saltitar”.

Caso 1

Pt.: As crianças estão brincando de esconde-esconde.
Es.: Los niños/chicos están jugando al escondite.

Caso 2

Pt.: As crianças estão jogando futebol, xadrez, Banco Imobiliário, truco.
Es.: Los niños/chicos están jugando al fútbol, al ajedrez, Monopoly, truco.

Caso 3

Pt.: As crianças estão saltitando na varanda de casa.
Es.: Los niños/chicos están brincando en la terraza de su casa.

Caso 4

Pt.: Não fique bravo, era só uma brincadeira.
Es.: No te enojes, era solo una broma.

Caso 5

Pt.: Ele me contou uma piada muito engraçada.
Es.: Él me contó un chiste muy gracioso.

Um outro (pt.) —– Otro (es.)

En portugués hablado, por influencia histórica del francés, se observa el uso muy asimilado de la expresión “um outro”. La presencia del artículo indefinido “um” no es obligatoria, pero se da en la casi totalidad de los casos. Para el hispanohablante que quiere aprender portugués este no es un punto de conflicto porque puede elegir libremente entre las dos formas. Sin embargo, el lusohablante que pretende hablar el español suele enfrentar grandes dificultades para eliminar el artículo “un” que tiende a poner antes de “otro”, lo que no es corriente en la lengua castellana y podría generar malentendidos (ver ejemplos, caso 1). En español “un Otro” se usa solamente en lenguaje académico-científico cuando deseamos indicar la existencia de “un otro individuo”, caso en el cual se utilizaría la misma expresión “um outro” en lengua portuguesa (ver ejemplos, caso 2).

Em português falado, por influência histórica do francês, observa-se um uso muito assimilado da expressão “um outro”. A presença do artigo indefinido “um” não é obrigatória, mas ocorre na maior parte dos casos. Para o hispanofalante que quer aprender português isto não representa uma dificuldade porque pode escolher livremente dentre as duas formas. No entanto, o lusofalante que pretende falar espanhol costuma enfrentar grandes dificuldades para eliminar o artigo “un” que tem a tendência de colocar antes de “otro”, o que não é costumeiro em língua espanhola e poderia gerar mal-entendidos (ver exemplos, caso 1). Em espanhol “un otro” é usado somente em linguagem acadêmico-científica quando queremos indicar a existência de “un otro individuo”, caso no qual utilizaríamos a mesma expressão “um outro” em língua portuguesa (ver exemplos, caso 2).

Caso 1 (um outro – otro)

Pt.: Ele queria uma outra coisa.

Es.: Él quería otra cosa.


Pt.: Um outro aspecto importante é…

Es.: Otro aspecto importante es…


Caso 2 (um outro – un Otro)

Pt.: “[...] sempre que haja um outro que lhe forneça os meios necessários para se desenvolver e se constituir como sujeito.”

Es.: “[...] siempre que haya un Otro que le brinde los medios necesarios para desarrollarse y constituirse como sujeto.”

Outro dia (pt.) —– El otro día (es.)

En portugués usamos la expresión “outro dia” para indicar un día en el pasado en que algo ocurrió. En español se usa la expresión “el otro día” con este mismo sentido (ver ejemplos, caso 1).

En español “Otro día” se usa para introducir un plan o proyecto de acción futura. En este caso usamos “um outro dia” en portugués (ver ejemplos, caso 2).

Si un hispanohablante dice “o outro dia” en portugués y comenta algo que haya ocurrido en el pasado, la oración estará gramaticalmente incorrecta, ya que solo podemos usar el artículo “o” si vamos a describir ese día, decir cómo fue, qué tiempo (atmosférico) hizo etc. (ver ejemplos, caso 3).

Em português usamos a expressão “outro dia” para indicar um dia no passado em que algo ocorreu. Em espanhol usa-se a expressão “el otro día” com este mesmo sentido (ver exemplos, caso 1).

Em espanhol “Otro día” é usado para introduzir um plano ou projeto de ação futura. Neste caso usamos “um outro dia” em português (ver exemplos, caso 2).

Se um hispanofalante diz “o outro dia” em português e comenta alguma coisa que tenha ocorrido no passado, a oração estará gramaticalmente incorreta, pois somente podemos usar o artigo “o” se vamos descrever esse dia, dizer como foi, como estava o tempo (atmosférico) etc.  (ver exemplos, caso 3).

Caso 1 (Pretérito)

Pt.: Outro dia fiz uma coisa incrível.

Es.: El otro día hice algo increíble.


Caso 2 (Futuro)

Pt.: Um outro dia a gente pode revisar o texto.

Es.: Otro día podemos revisar el texto.

Caso 3 (o outro dia – el otro día) – Descrição/descripción

Pt.: O outro dia foi horrível, choveu muito e não conseguimos fazer nada. (Poderia ser o dia seguinte, o dia anterior, o primeiro dia, o segundo dia etc.).

Es.: El otro día fue horrible, llovió mucho y no pudimos hacer nada. (Podría ser el día siguiente, el día previo, el primer día, el segundo día etc.).

Artigos definidos / Artículos definidos

Singular

Masc. O carro / El auto, coche

Fem. A casa / La casa

Plural

Masc. Os carros / Los autos, coches

Fem. As casas / Las casas


Singular
Masculino: O carro *
Plural
OS carros
Feminino: A casa**
AS

El artículo O también se usa delante de adjetivos (cuando en español se usa “lo”). Ejemplo: O bonito do Brasil são as suas praias. /Lo bonito de Brasil son sus playas.

Aunque el sustantivo empiece con la vocal “a”, el artículo portugués será siempre A para todas las palabras femeninas, lo que no pasa en español. Ejemplo: A água, a águia, a área./ El agua, el águila, el área.


Contrações com artigos definidos – Obrigatórias!!! / Contracciones con artículos definidos – ¡¡¡Obligatorias!!!


de + o = do (A porta do carro) La puerta del auto/coche.

de + os = dos (As janelas dos carros) Las ventanas de los autos/coches.

de + a = da (A porta da casa) La puerta de la casa

de + as = das (As janelas das casas) Las ventanas de las casas


En español solo existe la contracción obligatoria “de + el= del”. Por lo tanto, el uso de estas contracciones es el primer desafío de la lengua portuguesa para el hispanohablante, que, sin embargo, puede disfrutar la agilidad que le brindan estas contracciones a una lengua en que las vocales imperan y generan recursos inexistentes en lenguas consonánticas como el castellano.

Artigos Indefinidos / Artículos Indefinidos

Singular

Masc.    Um carro

Fem.     Uma casa

Plural

Masc. Uns carros

Fem. Umas casas

Contrações com artigos indefinidos – No Brasil são usadas mais na linguagem falada que na escrita / Contracciones con artículos indefinidos – En Brasil se usan más en el lenguaje hablado que en el escrito, aunque no son incorrectas según las Academias.


de + um = dum (A porta dum carro) La puerta de un auto/coche.

de + uns = duns (As janelas duns carros) Las ventanas de unos autos/coches.

de + uma = duma (A porta duma casa) La puerta de una casa.

de + umas = dumas (As janelas dumas casas) Las ventanas de unas casas.

Do F medieval que o português cuidou e o espanhol trocou pelo H

De la F medieval que el portugués cuidó y el español reemplazó por la H

O espanhol é a única língua latina (língua romance, em linguagem técnica) que iniciou um processo paulatino já na idade média de substituição do F inicial (ou medial) de muitas palavras pelo H mudo. Não há um consenso dos linguistas sobre as causas deste fenômeno; alguns afirmam que foi por uma influência moura (árabe), outros chegam a dizer que esta influência veio da população falante do basco (que em basco se chama euskera), uma língua falada no atual território espanhol cujas origens são pré-arianas, sem parentesco com as línguas romances, e que não possui o som /f/. Na prática, o que se observou foi uma coexistência do F e do H por vários séculos que terminou com o predomínio do H mudo, que representa uma clara simplificação do sistema, uma tendência natural da linguagem verbal humana.

El español (castellano) es la única lengua latina (lengua romance, en lenguaje técnico) que pasó por un proceso gradual, ya en el medioevo, de reemplazo de la F inicial (o medial) de muchas palabras por la H muda. No existe un consenso entre los lingüistas sobre las razones de este fenómeno; algunos afirman que se trató de una influencia mora, otros llegan a decir que la influencia provino de la población hablante del vasco (euskera), una lengua del actual territorio español cuyos orígenes son pre-arianos, sin cualquier parentesco con las lenguas romances, en la cual no existe el sonido /f/. En efecto, lo que se observó fue la coexistencia de la F y la H por varios siglos y un predominio final de la H muda, que representa una clara simplificación del sistema, lo que es una tendencia natural del lenguaje verbal humano.

Alguns exemplos

Algunos ejemplos

afilhado /ahijado

afinco / ahinco

afogar / ahogar

afugentar  / ahuyentar

almofada / almohada

desafogo / desahogo

façanha / hazaña

fada / hada

falcão / halcón

farto / harto

fava / haba

fazer / hacer

feno / heno

ferida / herida

ferro / hierro

fígado / hígado

figo / higo

foguete / cohete

folha / hoja

forca / horca

formiga / hormiga

formoso / hermoso

fumo / humo

tarefa / tarea

etc.

(Traducido y adaptado de la versión original en portugués: post anterior)

La formación en ciencia lingüística que reciben los profesores de lengua materna a lo largo y ancho de todos los continentes del mundo es evidentemente imperfecta, magra y, sobre todo, poco o nada placentera.

La superficialidad de sus incursiones en la verdadera ciencia de la lengua durante sus estudios universitarios los aprisiona en aquella etapa en que aún no han accedido al proceso de liberación que propone la lingüística moderna. Solo entiende y vive este proceso el estudiante que pasa por el umbral del metalenguaje y el obstáculo de las abstracciones iniciales acerca de la lengua y el lenguaje, nuestro objeto de estudio.

La mayoría de los profesores de lengua del mundo actual han preferido dedicarse a los estudios literarios y sufrieron las materias de lingüística como un doloroso calvario que no podría generar nada menos que una visión frágil, acotada, simplificada, impositiva y, por sobre todo lo demás, desalentadora.

Sin este placer natural del descubrimiento, de la visión ampliada, menos extremista, menos absolutista de la estructura y los mecanismos fisiológicos y psicológicos del lenguaje humano, no hay motivación ni cariño en los actos de comunicación del conocimiento y, finalmente, la pedagogía termina sofocada por la falta de un maestro. Utilizo este término en su acepción más bien medieval y oriental. Un maestro sin pasión no desenvuelve una pedagogía en el sentido helénico del término. Desde Saussure, la lengua no es más que una construcción psíquica colectiva que actúa como base, de la cual nos servimos en un ritual constante que debería asemejarse a un banquete tántrico y bello, un usufructo de sus sabores. Sin embargo, vemos el desplacer provocado por el miedo, por la barrera inicial que representa la incomprensión que se transfiere del profesor al alumno y de este a todas las relaciones personales en las que está implicado el uso activo y consciente del lenguaje verbal.

Este desplacer, hermano del miedo, se traduce en el extremismo lingüístico; es decir, en una búsqueda desesperada por reglas absolutas y generalizadoras que me permitan sobrevivir en el naufragio personal que experimento en este océano desconocido y terrorífico. Una gran tormenta virtual y psicológica que se transmite del enseñante al enseñado: quizá un tipo de esquizofrenia del hablante nativo, cuyas visiones asumen la forma de monstruos sintácticos y de fantasmas que dictan reglas gramaticales absolutas.

En cuanto cruzamos el umbral del desconocimiento y vemos las raíces múltiples y bellas y las reglas generales -humanas y naturales- que rigen el lenguaje nuestro de todos los días, accedemos a este placer sensorial y, por tanto, tántrico de la comprensión y el uso consciente de cada pequeño pincel y de cada color de esta paleta que es nuestra lengua materna, sea la que fuere.

Y es con estos pinceles y colores que vamos creando nuestra propia habla, nuestro lenguaje: una obra prima única, individual, representativa y reveladora de nosotros mismos. Este placer sensual de un arquitecto y pintor también está hecho de ladrillos y estructuras, de técnica y uso efectivo, de variedad y observación. El propio Da Vinci dijo que el arte no existe sin la técnica. Así, pues, el uso avanzado de la lengua no se da sin la técnica. Esto no quiere decir que esta sea una celda o una prisión. La técnica es solamente el primer peldaño que nos lleva a la gran pista libre donde los límites siempre se pueden superar.

Gladstone Chaves de Melo, un conocido profesor con raíces en Minas Gerais y Rio de Janeiro, doctor en lengua portuguesa y autor de más de 30 obras, en su libro Iniciación a la filología portuguesa [1957:353], hace las siguientes ponderaciones en el capítulo intitulado “Cómo se debe estudiar la lengua“:

“Cualquier enseñanza de la lengua debe consistir en apurar el sentimiento del lenguaje. Mostrar lo que es cierto, llamar la atención para lo que está bien [...] Perfeccionar el gusto, despertar y fomentar el sentido de distinción, ejercitar la plasticidad de la inteligencia, para hacer comprender que para cada uso lingüístico hay un lenguaje especial, de tal forma que no es posible establecer esquemas rígidos, aplicables de forma grosera a todos los casos [...].

El tantrismo no es la orgía de la ignorancia y del instinto, es tántrica la bella sensualidad de lo que se hace con arte. Seamos conocedores y adoradores de nuestra lengua y vivamos sus extraordinarios placeres sensoriales, construyamos con belleza y libertad, degustemos las exquisiteces del sonido, la caricia que le regala el aire a la boca y a los labios; aprendamos las fórmulas lógicas para luego desestructurarlas con conciencia, para moldearlas con precisión; para que en cada palabra sintamos con placer el hecho de que somos todos potenciales artistas plásticos del verbo.

Más allá de lo que haya surgido de mi experiencia como lingüista, docente, traductor y consultor internacional en aprendizaje de idiomas, estas reflexiones de carácter científico-filosófico están vivamente inspiradas en mi experiencia personal como practicante del Método DeRose y en mi respectiva experiencia de su propuesta cultural. Este método propone el rescate de tradiciones milenarias de carácter naturalista (en oposición a un visión espiritualista) y sensorial, subraya su importancia y aplicabilidad en el mundo actual, invita a la libertad de acción, pensamiento y sentimiento y, finalmente, penetra y florece en todos los ámbitos de la vida humana de sus miles de practicantes en todo el mundo. Dirijo, por tanto, mis sinceros agradecimientos al Dr. DeRose, el sistematizador del Método que lleva muy merecidamente su nombre desde hace ya 50 años.

(Este texto también se ha publicado en español)

A formação em ciência linguística que recebem os professores de língua materna espalhados por todos os continentes do mundo é evidentemente falha, débil e, sobretudo, pouco prazerosa.

A superficialidade de suas incursões na verdadeira ciência da língua ao longo de seus estudos universitários aprisiona-os naquele estágio em que ainda não vivenciaram o prazer do processo de libertação proposto pela linguística moderna. Somente o estudante que transpôs o umbral da metalinguagem e o obstáculo das abstrações iniciais acerca da língua e da linguagem, nosso objeto de estudo, consegue entender e vivenciar este processo .

A maioria dos professores de língua materna do mundo atual preferiram o caminho dos estudos literários e penaram com as matérias de linguística, vistas como um verdadeiro e doloroso calvário, que não poderia desembocar em nada menos que uma visão frágil, abreviada, simplificada, impositora e, sobretudo, desestimulante.

Sem este natural prazer da descoberta, da visão mais ampla, menos extremista, menos absolutista da estrutura e dos mecanismos fisiológicos e psicológicos da linguagem humana, não há motivação nem carinho nos atos de comunicação do conhecimento e a pedagogia é sufocada pela falta do mestre. Um mestre desapaixonado não faz pedagogia, no sentido helênico do termo. A língua é, desde Saussure, somente uma construção psíquica coletiva de base, da qual nos servimos no que deveria ser um banquete tântrico e belo, um usufruto de seus sabores. Porém, vemos o desprazer provocado pelo medo, pela barreira inicial da incompreensão que é transferida do professor para o aluno e deste para todas as suas relações que implicam o uso ativo e consciente da linguagem verbal.

Este desprazer, irmão do medo, traduz-se em extremismo linguístico; ou seja, em uma busca desesperada por regras absolutas e generalizantes que me permitam sobreviver em meu naufrágio pessoal neste oceano desconhecido e atemorizante. Uma grande tempestade virtual e psicológica que se transmite de ensinante a ensinado: talvez a esquizofrenia do falante nativo, cujas visões tomam a forma de monstros sintáticos e fantasmas que ditam regras gramaticais absolutas.

Quando cruzamos o umbral do desconhecimento e vemos as raízes múltiplas, belas e as regras gerais, humanas e naturais que regem a linguagem de todos os nossos dias, acessamos esse prazer sensorial, portanto, tântrico da compreensão e uso consciente de cada pequeno pincel e de cada cor desta palheta que é nossa língua materna, seja ela qual for.

E é com esses pincéis e cores que vamos criando nossa própria fala, nossa linguagem: uma obra prima única, individual, representativa e reveladora de nós mesmos. Este prazer sensual de arquiteto e pintor é feito também de tijolos e estruturas, de técnica e uso efetivo, de variedade e obervação. O próprio Da Vinci disse que não há arte sem técnica. Não há, pois, uso avançado da língua sem técnica. Isto não quer dizer que seja uma cela, uma prisão… é o primeiro degrau que nos leva à grande pista livre onde os limites sempre podem ser superados.

Gladstone Chaves de Melo, conhecido professor mineiro-carioca, doutor em língua portuguesa e autor de mais de 30 obras, em seu livro Iniciação à Filologia Portuguesa [1957:353] faz as seguintes ponderações no capítulo “Como se deve estudar a língua”:

“Todo o ensino da língua deve consistir em apurar o sentimento da linguagem. Mostrar o que está certo, chamar a atenção para o que está bem [...] Aprimorar o gosto, despertar e fomentar o senso de distinção, exercitar a plasticidade da inteligência, para fazer compreender que para cada uso linguístico há uma linguagem especial, de tal modo que não é possível estabelecer esquemas rígidos, grosseiramente aplicáveis a todos os casos [...].

“Se alguém traz no bolso do colete a regra seca de que não se começa a frase por pronome oblíquo, como poderá apreciar a beleza daqueles versos do Evangelho nas Selvas, de Fagundes Varela, quando Anchieta encontra uma índia cismarenta, lhe dirige a pergunta: ‘O que fazias, filha’?, e ouve como resposta: ‘Me lembrava dessa criança’? [...]
“Se alguém levou a sério a lição veiculada por Cândido de Figueiredo de que ‘não é bem português’ a colocação de porém no início de frase – não obstante as centenas de exemplos em contrário, desde os mais antigos até os mais modernos textos –, se alguém levou a sério a cerebrina teoria, não poderá saborear devidamente a beleza desta construção de A cruz mutilada, de Herculano: ‘Porém, quando mais te amo…’ ”

Tantrismo não é a orgia da ignorância e do instinto, tântrica é a sensualidade bela do que é feito com arte. Sejamos conhecedores e adoradores da nossa língua e vivenciemos seus prazeres sensoriais únicos, construamos com beleza e liberdade, saboreemos as delícias do som, o afago que o ar lhe presenteia à boca e aos lábios; aprendamos as fórmulas lógicas para as desestruturar com consciência, para moldar com precisão; para que a cada palavra sintamos o aprazível de sermos todos potenciais artistas plásticos do verbo.

Além dos fundamentos extraídos de minha experiência como linguista, docente, tradutor e consultor internacional em aprendizado de idiomas, estas reflexões de caráter científico-filosófico são vivamente inspiradas em minha experiência pessoal como praticante do Método DeRose e minha respectiva vivência de sua proposta cultural. Esta proposta resgata tradições milenares de corte naturalista e sensorial, destaca sua importância e aplicabilidade no mundo atual, convida à liberdade de ação, pensamento e sentimento e termina por permear e florescer em todos os âmbitos da vida humana dos seus milhares de praticantes em todo o mundo. Dirijo, portanto, meus sinceros agradecimentos ao Dr. DeRose, sistematizador do Método que muito merecidamente leva seu nome há já 50 anos.

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